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Inquéritos


Como o objectivo de conhecer-mos um pouco da nossa comunidade escolar no que diz respeito a esta doença, realizámos inquéritos aos 7º e 12º anos e a alguns professores.

Após a realização dos inquéritos, conseguimos chegar a algumas conclusões. Não podemos no entanto concluir se esses resultados são na realidade verdadeiros, visto que a sinceridade de cada um depende da sua própria consciência.
Apesar da nossa incerteza perante os resultados obtidos, decidimos confiar nas respostas dos inquiridos e tirar as nossas conclusões. Dado isto, podemos concluir que:
• 80% dos inquiridos tem algum conhecimento sobre fobias;

• 100% dos professores sabe que uma fobia é uma doença psicológica;

• a maioria dos inquiridos é portador, no mínimo, de uma fobia;

• as fobias que a maioria dos inquiridos possuem são: claustrofobia, murofobia e aracnofobia.

Entrevista feita à Psicóloga Liliana Santos (2ªParte)


5. Como é que as fobias se manifestam normalmente?

"A Fobia Especifica faz com que a pessoa que tenha esta perturbação experimente um medo claro e persistente (que muitas vezes é reconhecido como excessivo ou irracional, sobretudo pelos adultos) quando está na presença ou mesmo quando antecipa um encontro com um objecto ou situação específicos (por exemplo, viajar de avião, alturas, animais, levar uma injecção, ver sangue). Quando é exposta ao estímulo fóbico essa pessoa sente, quase invariavelmente, uma resposta ansiosa imediata (cujo nível de intensidade varia em função do grau de proximidade do estimulo fóbico e do grau em que a ‘fuga’ é possível) e, por isso, na maior parte das vezes procura evitá-lo ou enfrenta-o com grande sofrimento, o que acaba muitas vezes por perturbar claramente a pessoa, interferir na sua rotina diária, no seu funcionamento ocupacional ou na vida social (já que muitas vezes a pessoa deixa de fazer certas coisas ou de frequentar certos locais devido à sua Fobia)."

6. É uma doença estável ou, com o decorrer do tempo, pode vir a agravar-se?

"Depende do tipo de Fobia e da idade do seu aparecimento. As fobias que resultam de acontecimentos traumáticos ou Ataques de Pânico inesperados tendem a ter um desenvolvimento particularmente agudo. Muitas das fobias que têm início na infância têm por vezes remissões espontâneas, mas aquelas que começam na adolescência aumentam as probabilidades de persistência da Fobia ou até de desenvolvimento de outras Fobias específicas na idade adulta.
Há alguma evidência de que as Fobias específicas se encontram entre as perturbações que melhor tratamento tem, embora os pacientes que sofrem de fobias específicas sejam daqueles que menos procuram ajuda para o seu problema de ansiedade (o que pode ter a ver com o facto de serem perturbações que regra geral não causam um grau muito intenso de mal-estar e que não interferem muito com a funcionalidade da pessoa)."


7. Quais os métodos de tratamento de Fobias?

"De entre os métodos mais eficazes para o tratamento das Fobias Específicas, encontram-se:
- Familiarização do paciente com a resposta de ansiedade e de medo;
- Exposição Sistemática ao objecto ou situação temida (que pode ser ‘ao vivo’ ou ‘em imaginação’) de forma a reduzir gradualmente a reposta de medo da pessoa;
- Estratégias cognitivas (que consistem em levar o paciente a ‘reestruturar’ o seu pensamento, verificando que muitas vezes a interpretação que faz da situação é errónea ou irrealista e que podem existir formas alternativas, e mais realistas, de ver a mesma situação);
- Técnicas de Relaxamento, para ajudar o paciente a minimizar ou a saber controlar melhor a resposta ansiosa que sente quando antecipa ou se confronta com o objecto ou situação temida;

Apesar do tratamento das fobias se revelar geralmente eficaz e duradouro, como em qualquer perturbação há sempre o risco de poder haver recaídas, pelo que se deve ter sempre o cuidado de marcar sessões de ‘follow-up’ com os pacientes, de forma a garantir a manutenção dos ‘ganhos’ terapêuticos."


8. Tem mais alguma informação adicional que nos possa fornecer para melhor enriquecer o nosso trabalho?

"A informação que vos deixo é que a temática das fobias é bastante abrangente, pelo que procurei dar repostas pouco elaboradas e sucintas às vossas questões, para não correr o risco de me ‘perder’.
Gostaria apenas de acrescentar que a psicologia é uma área muito vasta e, como tal, há diferentes visões e perspectivas acerca das perturbações mentais, consoante a vertente de cada psicoterapeuta. A perspectiva que aqui vos deixo nesta pequena entrevista é aquela que deriva da minha experiência e formação profissional, que se aproxima de um modelo clínico mais ‘cognitivo-comportamental’."

Entrevista à Psicóloga Liliana Santos (1ªParte)

1.Começando pelo mais simples, o que é uma Fobia?

"Uma Fobia é uma Perturbação da Ansiedade. Caracteriza-se essencialmente por um medo acentuado e persistente (de natureza excessiva ou até irracional) que um indivíduo sente quando é exposto ou antecipa o confronto com um objecto ou situação que teme e, geralmente, conduz a uma resposta de ansiedade clinicamente significativa e a comportamentos de evitamento do objecto ou situação temidos."


2.Durante os seus anos de trabalho e de experiência, alguma vez tratou pacientes com fobias? Se sim, quais as mais frequentes?

"Sim, ao longo da minha prática clínica já fiz intervenções em pacientes com Fobias, sendo que me recordo de as mais frequentes estarem sobretudo relacionadas com andar de elevador, conduzir em túneis ou em pontes, andar de avião, medo de animais (como ratos, cães, insectos…) e também medo de trovoadas."


3.Sabe-nos dizer quais os tipos de fobias existentes?

"De acordo com o DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, da Associação Psiquiátrica Americana) dentro das Fobias Específicas, embora possam existir outros tipos, há essencialmente, quatro sub-tipos. São eles:
- Tipo Animal (medo desencadeado por animais ou insectos);
- Tipo Ambiente Natural (medo originado por situações do ambiente natural, como sejam as alturas, água, tempestades, …);
- Tipo Sangue/Injecções/Ferimentos (que tem a ver com observar ou ser alvo de actos médicos relacionados com sangue, ferimentos, levar uma injecção, …);
- Tipo Situacional (medo desencadeado por uma situação específica como transportes públicos, túneis, pontes, elevadores, voar, conduzir ou espaços fechados)."


4. Quais as razões para que um individuo tenha uma fobia?

"Os primeiros sintomas de Fobia Específica ocorrem habitualmente durante a infância ou no início da adolescência e são variados os factores que podem predispor o seu aparecimento, nomeadamente: assistir ou vivenciar um acontecimento traumático (por exemplo, ser ou ver alguém a ser atacado por um animal, cair de um sitio alto, …); ter um ‘Ataque de Pânico’ numa determinada situação; observar as reacções de terceiros em certas circunstâncias (por exemplo ver alguém a reagir com medo na presença de um determinado animal ou noutra situação especifica); bem como por simples transmissão de informação (por avisos repetidos dos pais acerca dos perigos de certas situações, através da comunicação social, pela cobertura que por vezes é feita de determinados desastres, …)."

A origem das Fobias


A sua origem é muito controversa pois há pessoas que acreditam que ela possa ser de origem genética, ou por outro lado, muitas crianças podem “aprender” o medo com algum familiar. Outras acreditam que tudo começa com um medo de alguma situação a que a pessoa foi exposta na infância ou até que a causa pode estar na actividade exagerada do Sistema Nervoso Autónomo, numa amígdala mais activa (área responsável por desencadear o alarme) ou na deficiente activação do córtex pré-frontal (a área responsável pela inibição deste alarme). Concluindo, existem diversas hipóteses para a causa de uma fobia, porém, nenhuma explica integralmente a totalidade dos casos.
Na maior parte das situações a pessoa que sofre desta doença nota a sua ansiedade e o seu medo exagerado que se manifesta através de: palpitações, suores frios, tremores, inquietação, sensação de falta de ar, levando mesmo às crises de pânico sendo um transtorno comum no dia-a-dia de qualquer um. Apesar disto, a busca pelo tratamento acaba por acontecer muito tarde porque a maioria não acredita que possa haver cura e principalmente pelo desconforto que sentem em procurar um psicólogo ou psiquiatra para falar do seu problema.
O tratamento aconselhado, reside em disfarçar o sintoma com alguns psicofármacos (sobretudo alguns anti-depressivos) e na psicoterapia, uma terapia que não tem uma duração precisa, em que os doentes são expostos ao objecto ou situação que lhe causam receio, revivendo e resolvendo os conflitos emocionais que esse objecto inofensivo lhe provoca. Este tratamento tem mais eficácia nas fobias simples que são descritas a seguir.

Fobias, o que é?


O ser humano sempre teve diversos medos que, ocasionalmente, são perturbadores mas que não impedem a realização das actividades do dia-a-dia. Já a fobia, é um sintoma neurótico, caracterizado pelo medo irracional, exagerado e injustificado de determinadas situações ou objectos, levando a pessoa a um estado de grande ansiedade, não permitindo que ela esteja em contacto com o estímulo que lhe provoca receio, ou seja, têm um desejo de tal forma compulsivo de evitar a situação ou o objecto receado que isso passa a influenciar a sua vida.
As fobias podem ser divididas em dois tipos: fobias simples e fobias complexas. As primeiras, são fobias específicas de um objecto ou situação em que na presença desse estímulo, as pessoas sentem uma forte reacção de ansiedade, podendo chegar a ter um ataque de pânico. Já as fobias complexas, podem estar associadas a vários medos e não àquele objecto ou situação específica, como a fobia social ou a agorafobia que pode englobar o medo de andar de transportes públicos, usar elevadores ou ir a lojas muito cheias.
Normalmente, uma fobia surge mais no sexo feminino que no masculino, no final da infância, adolescência ou no início da vida adulta.